(Pre)ocupe-se

A palavra preocupar já traz implícito seu significado – ocupar-se antecipadamente. E se preocupar tem uma função muito importante: resolver um problema que espera adiante. Preocupar nos direciona a pensar em possíveis soluções e colocá-las em ação. Nesse caso, ocupe-se com antecedência! Vale a pena. Mas existem problemas que não estão sob nosso controle, que já pensamos se tem algo que possamos fazer e depois de revisarmos uma, duas, três vezes, percebemos que não tem nada que possamos fazer. Qual o sentido de ficar se ocupando de algo que não mudará a partir de nós? Qual o sentido do desgaste e da ansiedade que isso pode gerar? Por que ficar conversando com a gente mesmo repetidas e repetidas vezes sobre o problema? Claro que esse comportamento de se preocupar (ficar procurando soluções) diante de situações assim também tem suas funções: nos dá a impressão de que estamos fazendo algo a respeito, alimenta a esperança de que podemos achar uma solução etc. A questão é se vale o custo que ele cobra. E preocupar cobra caro.

Sobre o Autor
Ricardo R. Borges é Psicólogo Clínico Comportamental – com consultório no CEMEB – Centro Médico Bueno – Goiânia, GO.
Especialista em Psicopatologia pela PUC GO

Sugestão de leitura

  1. BANACO, R. A. (1997). Auto-regras e patologia comportamental. Em: D. R. Zamignani (org.), Sobre comportamento e cognição: a aplicação de análise do comportamento e da terapia cognitivo-comportamental no hospital geral e nos transtornos psiquiátricos. Santo André: Arbytes, pp. 80-88.

Resolução de Problemas Solucionáveis

Já se sabe que há uma maneira mais eficiente de pensar em soluções e resolver problemas importantes: sistematizando os processos. O primeiro passo é formular o problema de maneira clara e específica. Muitas vezes, o problema nos incomoda, mas nem paramos para identificar claramente qual é o problema. Geralmente, o problema pode ser descrito como “sabemos onde queremos chegar, mas não sabemos como fazer”. Tente colocá-lo nesses termos. Em seguida, faça um brainstorm, faça uma lista com maior número possível de soluções, mesmo aquelas que parecem improváveis ou muito difíceis – ainda sem aplicá-las. Depois, avalie os prós e contras de cada solução, considerando o quanto elas podem ser eficazes, o custo e a possibilidade. Então, depois que elas forem hierarquizadas da melhor para a pior estratégia, escolha a primeira e formule o plano de como aplicá-la. Essa parte é importante. Isso de “então, vou fazer isso” funciona menos que “vou fazer isso, desta forma, em tal dia, hora, local, utilizando tais recursos e essas pessoas (se for o caso)”. Por fim, coloque o plano em ação. Pode ser que funcione ou não, ou que funcione parcialmente. Depois de tudo isso, faça essa avaliação. Não tendo funcionado, existe a opção de reaplicar o mesmo plano corrigindo-o no que for necessário ou aplicar as próximas estratégias da lista, pois assim, você tem uma lista de possíveis soluções. Mas não se esqueça: há problemas sem solução. Para eles, vale um texto à parte.

Sobre o Autor
Ricardo R. Borges é Psicólogo Clínico Comportamental – com consultório no CEMEB – Centro Médico Bueno – Goiânia, GO.
Especialista em Psicopatologia pela PUC GO

Sugestão de leitura

  1. WRIGHT, J. H; SUDAK, D. M; TURKINGTON, D.; THASE, M. E. (2012) Terapia Cognitivo-comportamental de alto rendimento para sessões breves: Guia ilustrado. Porto Alegre: Artmed.