Quem cala consente. Não?

Como qualquer outro comportamento aprendido, aprendemos a falar e aprendemos calar. E assim como qualquer outro comportamento, além das coisas que a pessoa “acredita” (autoinstruções, descrições privadas das situações etc), o que faz as pessoas manterem falas e silêncios em seu repertório comportamental para serem utilizados nas situações são as consequências que têm ao falar ou ao se calarem. Várias consequências podem suceder o comportamento de se calar, reforçando-o – inclusive a consequência de não acontecer nada.
Assim, várias pessoas se calam para que não aconteça nada, como por exemplo alguém que se cala porque discorda, mas sua opinião pode gerar uma discussão ou impressão que ele não quer causar. Outras se calam para evitar que caçoem dela ou para que não “pensem” que ela é de opiniões superficiais, burras, idiotas. Algumas se calam para evitar discussões dentro da relação amorosa. Outras se calam para irritar ou provocar o outro. E algumas pessoas calam inclusive porque consentem.
Mas mais ou tão interessante quanto analisar o silêncio de quem cala é analisar o comportamento de quem diz “quem cala consente”. Quem diz isso, raramente acha que realmente quem calou consentiu. Quem diz isso pode dizê-lo para provocar o outro a dizer o que pensa, porque está irritado com o silêncio do outro e quer que isso acabe, porque quer tirar do outro o direito a reclamações futuras e tantos outros motivos (consequências).
Assim como a fala, o silêncio tem função, ou melhor, várias funções.

Sobre o Autor
Ricardo R. Borges é Psicólogo Clínico Comportamental – com consultório no CEMEB – Centro Médico Bueno – Goiânia, GO.
Especialista em Psicopatologia pela PUC GO

Sugestões de leitura

  1. BAUM, W. (1999). Compreender o Behaviorismo. Artes Médicas.
  2. SKINNER, B. F. (1974). O Comportamento Verbal. São Paulo: Cultrix.


Deixe um comentário