Agir igual em um contexto diferente

Imagine um cômodo dividido em dois espaços por uma baixa mureta. Agora imagine que há um cachorro neste cômodo e que começa soar um apito quase inaudível para um humano, mas muito irritante para o cão. E nada que o cão fizer fará com que o apito pare de soar. O cão late, anda de um lado para outro, gira, e algumas vezes ele salta a mureta para o outro lado, onde continua inquieto e incomodado, muito irritado. Pula a mureta de volta para o lado de cá, e de novo para lá. Mas depois de um tempo, cansado, para de latir, de correr, de girar. Um tempo depois você o retira de lá. No dia seguinte repete essa aversividade com o cão. Ele tenta, late um pouco, gira, salta a mureta, se inquieta por menos tempo antes de ficar quieto em um canto. No terceiro dia você muda as condições da sala e se o cão pular a mureta para o outro lado, um detector de movimentos fará desligar o apito imediatamente. Você coloca o cão na sala, liga o apito, mas o cão não se mexe. Você até torce pra que ele se levante e pule para o outro lado da mureta para desligar a sirene. Mas nada acontece. No dia seguinte, você tenta de novo, mas o cão fica imóvel diante do apito. Apesar de se sentir muito mal com o apito, ele nada faz. Ele aprendeu que nada do que ele fez parou o apito. Essa é uma ilustração fictícia de parte de um experimento real feito por Martin Seligman nos anos de 1970.

Há uma frase atribuída a Einstein: é loucura fazer as coisas do mesmo jeito e esperar obter um resultado diferente. Somando ao experimento delineado por Seligman, cabe um adendo à frase: É loucura fazer as coisas do mesmo jeito e esperar um resultado diferente, mas pode ser que o contexto tenha mudado e tentar mais uma vez pode levar à um novo resultado. É muito importante lembrar que os resultados não são produto apenas do que fazemos, mas da relação entre o que fazemos e aquilo que é afetado pelo que fazemos.

Sobre o Autor
Ricardo R. Borges é Psicólogo Clínico Comportamental – com consultório no CEMEB – Centro Médico Bueno – Goiânia, GO.
Especialista em Psicopatologia pela PUC GO

Sugestão de leitura

  1. FERREIRA, D. C. & TOURINHO, E. Z. (2013). Desamparo aprendido e incontrolabilidade: relevância para uma abordagem analítico-comportamental da depressão. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 29(2), 211-219.

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