Quanto custa escolher?

Eu escrevi em um texto anterior afirmando que sempre temos escolhas, em todas as situações. Não querer arcar com ou assumir as consequências da escolha pode fazer com que cometamos um ato de má-fé de dizer que fizemos o que fizemos porque não tínhamos outra escolha – o que não é verdade.

Mas há outra opção que nos faz esquivar de assumir que fomos nós quem escolhemos: não querer lidar com os custos da nossa escolha. O que fazemos pode ter um custo mais baixo ou mais alto. Posso dizer que trabalho em uma profissão que não gosto porque não tenho outra opção, é só o que sei fazer na vida. Na verdade, eu escolho continuar naquele trabalho porque o custo de aprender uma nova profissão, gastar tempo, dinheiro, dedicação estudando, às vezes, fora do horário de trabalho para não ficar sem renda pode ser um custo muito alto que eu não queira pagar. É assim que funcionamos: o tempo todo calculando o custo-benefício do que vamos escolher, seja consciente ou inconscientemente. E quando os custos são altos e as consequências, os ganhos só virão à longo prazo, se vierem, a probabilidade de escolhermos essa opção cai drasticamente. Mas ainda assim a opção está lá.

Podemos querer enganar a nós ou aos outros dizendo que não tínhamos escolha, mas já estaríamos escolhendo nos enganar. Ou podemos fazer escolhas identificando as opções e os motivos para isso, seja pelas consequência ou pelo custo. São opções. Sair do papel de vítima das situações tem seus custos e suas consequências – que às vezes não queremos arcar.

Sobre o Autor
Ricardo R. Borges é Psicólogo Clínico Comportamental – com consultório no CEMEB – Centro Médico Bueno – Goiânia, GO.
Especialista em Psicopatologia pela PUC GO

Sugestão de leitura

  1. SOARES, P. G. et al. (2017) Custo da resposta: Como tem sido definido e estudado?. Perspectivas,  São Paulo ,  v. 8, n. 2, p. 258-268.

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